O grande objetivo, e principal tese de Ricardo Coelho em sua obra, é que os partidos brasileiros não são amórficos, artificiais ou desorganizados e, pelo contrário, tiveram ativa e determinante participação nos processos deliberativos que resultaram na constituição de 88, com especial destaque o partido majoritário, PMDB. Os grupos de pressão e as práticas clientelistas, ainda que tenham exercido alguma influência durante o processo constituinte, de modo algum foram determinantes de seu resultado. Mesmo o surgimento do Centrão, que representou um desafio à hegemonia do mesmo, não representou sua retirada do centro das decisões, mas tão somente a redefinição das suas estratégias: se antes, pelo formato do regimento, era possível ao PMDB, cuja liderança era claramente mais à esquerda do que a maioria do partido e a maioria da ANC, coligar-se com partidos mais progressistas, ou mesmo de esquerda, com o surgimento do Centrão as votações passaram a ser mais à direita no espectro ideológico.
Esse pré-conceito teórico, de que o sistema partidário brasileiro é ineficiente e desorganizado, é resultado de uma aplicação de critérios para a análise de dados alheios à natureza do processo político-partidário brasileiro por parte dos estudos dos brasilianistas.
Coelho ressalta, ainda, que as alianças e clivagens entre esquerda e direita, progressistas e conservadores, radicais e moderados ocorreram por meio dos partidos, e não a despeito deles.
Não só os partidos tiveram importância crucial nesse processo decisório, mas também e, em especial, as lideranças dos partidos: o PMDB conduziu o processo em grande medida de acordo com as inclinações de sua cúpula (notadamente mais progressista), ainda que indo contra as aspirações da maioria do plenário e mesmo de sua prórpia bancada.
Um outro ponto salientado por Coelho em sua obra é o da coesão partidária. Ele propõe que a explicação para essa variável deve ser encontrada no seio dos partidos e não fora destes, como faziam até então os estudos sobre tal problemática. O maior ou menor grau de coesão se explica pelo valor e importância que o partido dá à disciplina e unidade de seus filiados.
Em suma, o texto pretende oferecer um novo olhar sobre o sistema partidário brasileiro a partir de um exemplo extremamente emblemático: o processo constituinte; de modo que expõe a importância dos partidos e de suas lideranças e como foram determinantes para a elaboração do que se convencionou chamar de "Constituição Cidadã".
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