O embate político na construção da nova constituição se mostrou ferrenha, em certos pontos intransigentes em outros negociáveis, tendo ambos os lados, o centrão e os progressistas, tentando vetar os projetos adversários e eleger os seus próprios ou pelo menos levar a proposta a discussão para assim elaborar algo que condizia com ambos os lados. No primeiro turno do processo no plenário os pontos relativos a propriedade, recursos minerais, telecomunicações, sistema de governo, mandato presidencial, empresas nacionais, recursos minerais, monopólios estatais, reforma agrária, ciência, tecnologia, comunicação e disposições transitórias entraram em discussão e foram decididas como seria citadas e organizadas na constituição.
A disputa sobre a propriedade foi o primeiro item a ser debatido no plenário, ele foi a votação quatro vezes com o projeto de centrão, do Projeto (A), o Texto Amaury Muller e o Texto Lula sendo todos vetados pelos seus opositores. Como nenhuma das propostas foi aceita o relator teve que apresentar um texto que agradasse ambos os lados, este texto contêm a "garantia do direito a propriedade, disponde que esta atenderá a função social e que, em caso de desapropriação, o pagamento da indenização será feita em dinheiro, ressalvados s casos previstos na própria constituição."
A disputa sobre os recursos minerais e telecomunicações foi levemente diferente que a da propriedade, na primeira votação o projeto do centrão foi negado, porem no dia da segunda votação Covas expôs um termo de acordo no qual os progressistas apoiariam o projeto do centrão caso o centrão os apoiassem na questão dos royalties do petróleo, sobre os recursos minerais e sobre o monopólio estatal sobre os meios de comunicação. O texto do centrão foi aprovado porem teve alguns pontos seriamente modificados pelos progressistas devido o acordo entre eles.
O embate sobre o sistema do governo teve uma espécie de quase consenso uma vez que a emenda presidencialista passou sem nenhum problema na primeira e única votação como também na DVS para decidir se teria um mandato de cinco anos também foi aprovada. É interessante notar que os progressistas, tirando o PMDB votavam quase sempre em bloco, tendo poucas dissidências enquanto os de centrão muitas vezes votavam conforme suas próprias convicções.
As votações sobre as empresas nacionais, recursos minerais e monopólios sofreram uma espécie de aceleração do processo de decisão numa tentativa do centrão de passar o projeto deles sem uma discussão ou negociação com os progressistas, isso causou um certo mal estar fazendo com que os progressistas vetassem o projeto dos integrantes da direita e por sua vez se unissem para aprovar o tratamento preferencial a industrias nacionais e a nacionalização da mineração, eles quase também conseguiram aprovar o monopólio da distribuição do petróleo porem ai os conservadores conseguiram se recuperar e vetar esse artigo na constituição.
A reforma agrária foi um dos pontos com maior confusão no plenário, após o fracasso das duas votações da proposta do centrão o Projeto (A), dos progressistas, sofreu uma derrota maior ainda causando uma possibilidade de buraco negro na constituição. Para não ficar dessa maneira um novo texto foi redigido com uma parte para ser votada em separado (DVS = destaque para votação em separado) o que teve apoio de ambos os lados sendo aprovado. O trecho retirava da constituição uma parte de desapropriação de terra em caso de inobservância.
No quesito da ciência, tecnologia e comunicação houve um consenso geral sobre a fusão de emendas o que re-introduzia o dispositivo que considerava o mercado interno como um patrimônio nacional, a única parte que foi aprovada sem um certo grau de consenso foi a que definia que as empresas desta área deveria compartilhar parte dos ganhos econômicos com os trabalhadores.
Quanto as disposições transitórias que sofria com uma certa pressão do então presidente Sarney para prolongar em um ano seu mandato, houve um certo consenso entre as partes definindo que o seu governo seria ate 1990 e que a partir deste ponto as eleições seriam de quatro em quatro anos, o que mais tarde seria modificado para um sistema que permitia a re-eleição. Covas, que foi o líder de bancada do PMDB durante todo esse processo, após o final do 1o turno, se desfaz do PMDB e monta o PSDB levando vários outros lideres do PMDB como simpatizantes de outros partidos, suas liderança nas votações nem sempre foram seguidas e votadas em bloco (como dos outros progressistas) apesar dele argumentar varias vezes e fazer parte de apoio dos outros partidos progressistas.
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